Entre o Monte Olimpo e o Monte Oeta se estende uma planície que é referida na Odisséia como Aeolus. Esse é um nome alternativo para a região da Tessália, também chamada de “o celeiro da Grécia” por ser uma terra muito fértil e com estações muito bem definidas. Essa região ganhou certa fama na literatura por ser retratada como “o refúgio das bruxas”, descrevendo-se o local como repleto de bordéis, drogas e venenos, e permeado de histórias de feitiçaria.
A literatura, claro, serve a uma agenda política do período. E as mulheres da Tessália sofrem da difamação que as tornam criaturas abomináveis e marginalizadas. Elas são tornadas “bruxas”, e perdem seu prestígio e sua humanidade. Essa é uma marca que se repete recorrentemente na história da humanidade.
Mas há algo muito relevante acerca da Tessália: é nessa região que surge o culto de Enódia, uma deusa das encruzilhadas, que está relacionada a cemitérios, é descrita carregando tochas e é acompanhada de um cachorro. Essas são algumas de suas características que, sim, lembram muito a Hekate. E, embora elas sejam divindades diferentes, em alguns cultos as suas qualidades são incorporadas à figura de Hekate – que se torna uma inteligência maior abarcando propriedades de várias outras deusas menores.
É importante dizer que essas “bruxas” são pessoas comuns, como você e eu. Mas, mais do que isso, elas também são ancestrais da arte. E nesse episódio conheceremos um pouco mais de suas histórias.
Aí sim! A gente, em geral, entende muito pouco sobre o conceito de “comunidade”. A gente tem embarcado numa dinâmica de mercado que identificou o nosso despertencimento social, a solidão […]